Malévola e Bruna Mercatelli pagam fiança e são soltas no Egito

As influenciadoras Mariana Alves, conhecida como Malévola, e Bruna Mercatelli deixaram a prisão nesta quarta-feira (21) após pagarem fiança. Elas haviam sido detidas na terça-feira (20) no Egito, acusadas de “comportamento obsceno”.

O advogado Jonatha Carvalho Matos, que representa as duas no Brasil, informou ao g1 que ambas responderão ao processo em liberdade e estão autorizadas a voltar ao país. A defesa mantém contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e acompanha o caso junto às autoridades locais para garantir os direitos das influenciadoras. Até o momento, as autoridades egípcias não confirmaram oficialmente a fiança, o valor pago nem a soltura.

O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil no Egito, declarou que “acompanha o caso” e “tem prestado assistência consular” às brasileiras “e a seus familiares no Brasil, disponibilizando serviço de orientação jurídica e auxiliando na interlocução com as autoridades locais”.

De acordo com Jonatha, advogados egípcios atuam no país para assegurar os direitos de Malévola e Bruna, detidas em Alexandria após gravarem e publicarem vídeos nas ruas. A polícia egípcia afirma que as brasileiras aparecem fazendo gestos de cunho sexual e assediando pessoas em vias públicas. A defesa diz que ainda tenta esclarecer quais crimes lhes são atribuídos.

Os advogados no Brasil aguardam informações sobre o valor da fiança paga. “Seria 20 mil [pouco mais de R2mil]ou40mil[cercadeR 4 mil] libras egípcias”, afirmou Jonatha.

O caso ganhou repercussão internacional depois que o Ministério do Interior do Egito divulgou comunicado informando que as duas foram identificadas e presas após a publicação dos vídeos nas redes sociais. Segundo as autoridades, o conteúdo teria sido produzido para aumentar o número de visualizações.

A mídia egípcia destacou que Malévola é uma mulher trans e mencionou “vídeos ofensivos”. Os jornais também publicaram informações oficiais do governo e reações de usuários nas redes sociais. Um veículo, porém, adotou tom transfóbico na manchete ao afirmar que a influenciadora “era um homem…”.

Antes da confirmação oficial da prisão, Malévola publicou vídeos relatando que ela e Bruna foram levadas por policiais a uma delegacia em Alexandria e tiveram os passaportes retidos para averiguação.

Com mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram, Malévola é uma das influenciadoras trans mais conhecidas do Brasil. Bruna também é uma mulher trans, segundo sua defesa. A página dela na rede social, no entanto, não estava disponível nesta quarta-feira.

Nos últimos anos, Malévola ganhou notoriedade por episódios de grande repercussão, como a denúncia de transfobia durante uma apresentação do musical “Wicked”, em São Paulo, e uma prisão por desacato e lesão corporal após uma confusão em uma festa na capital paulista.

A defesa de Malévola divulgou nota informando que está em contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e com as autoridades e órgãos competentes para assegurar a integridade física, a segurança e a observância dos direitos e garantias legais da influenciadora. O texto afirma que a situação é acompanhada de forma contínua e prioritária, com todas as providências necessárias, respeitando a legislação local e os tratados internacionais. A defesa pede cautela com informações não confirmadas e informa que atualizações serão divulgadas pelos canais oficiais.

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